Carlos Vieira

O Carlos Vieira é natural da Murtosa (Aveiro) e tem 30 anos. Estivemos à conversa com ele e a serenidade que transmite coaduna-se com a mão firme e engenhosa que trespassa realismo para a pele dos clientes em cada tatuagem.

A escola permitiu-lhe identificar o dom com que nasceu. Os professores da disciplina de Educação Visual reconheciam-lhe a genialidade de realizar retratos e imagens que nem ele próprio conseguia explicar como criava. Precisaria de esperar mais uns pares de anos para entender melhor a importância daquela capacidade inata!

O ensino secundário arredou-o das artes e, consequentemente, do lápis e do papel. Após o 12.º ano ingressou no mundo do trabalho numa fábrica de peças de automóveis, mas depois de vários anos de ausência o instinto fê-lo regressar à grafite e às tintas! A arte chamava por ele e reclamava-lhe um lugar de destaque.

O passo seguinte estava ali mesmo à espreita! As tatuagens eram uma realidade entre os amigos mais próximos, sendo que a paixão pelo mundo das tattoos não demoraria a despertar.


Do(s) autorretrato(s) à primeira tatuagem…

O primeiro autorretrato marcou-lhe o regresso da alma ao papel e despertou-lhe o entusiasmo que nos invade pela verdadeira realização…. “Faz o que gostas e nunca trabalharás na vida!” 

Nessa altura, um primo pediu-lhe que desenhasse o seu retrato, a que se somaram muitos outros de amigos e conhecidos. Estavam lançados os dados! Rapidamente chegaria a hora de fazer a sua primeira tatuagem, que nos mostrou orgulhosamente, de entre as muitas que tem espalhadas pelo corpo na atualidade… Tantas, que já nem sabe ao certo quantas!

O salto vertiginoso entre a condição de tatuado a tatuador aconteceria naturalmente, ainda que numa fase inicial nunca pensou em passar da primeira condição. 


Depois de um período em que tatuava em casa durante o dia e mantinha outra atividade profissional durante a noite, decidiu aceitar um convite para  ingressar num estúdio em Aveiro, a tempo inteiro, onde aprofundou os conhecimentos e técnica(s) de tatuar, até que surgiu, segundo o próprio… “A oportunidade de uma vida!” 


A chegada ao Piranha Tattoo Studios

A hipótese feérica de poder vir a tatuar naquele que é para si o melhor estúdio de tatuagens em Portugal, apareceu de forma totalmente inesperada!

O telemóvel tocou e as palavras do Pedro Dias, CEO da Piranha Global, deixaram-no com a adrenalina no máximo e a pulsação acelerada. “Começava a vislumbrar uma hipótese de alcançar o topo da montanha…”, o sonho de trabalhar como artista residente no estúdio da Piranha em Viseu tornou-se, naquele instante, mais do que uma possibilidade…. Uma realidade! 

A decisão foi tomada de forma imediata. “Sim”… E o Estúdio Piranha Tattoo em Viseu passou a ser o plenário da sua veia artística. Aqui diz ser feliz, realizado, e com condições totalmente ímpares para poder tornar-se ele próprio uma referência entre os tatuadores nacionais e internacionais. 

Cada corpo que tatua é um templo sagrado que preserva a tatuagem e, sobretudo, guarda o seu significado.  

Experiência(s) única(s), subjetiva(s), que invadem o Carlos Vieira de memórias, fazendo com que se recorde das pessoas que vem tatuando no decorrer do seu percurso. 

Este privilégio sentido expressa-se na sinceridade das palavras e no brilho do olhar, reconhecendo ao Piranha Tattoo Studios um portal de lembranças individuais e coletivas capazes de perdurar muito para lá das suas paredes. 


O caminho faz-se tatuando…



Autor: Luís Leitão

Nota do autor: Agradeço a disponibilidade e simpatia do Carlos Vieira para a realização desta entrevista e artigo.